Chaguim

O elo de ligação do Natal com o Hanukkah

Embora judaica e milenar, a Festa do Hanukkah, que foi comemorada por Jesus Cristo e sua família, não só tem interessantes paralelos com alguns preceitos neotestamentários, como não há nada que impeça aos cristãos de hoje comemorá-la.

É um equívoco denominar o Hanukkah de “Natal judaico”. Quando assim se faz, tem-se a impressão de que esta festa foi influenciada pelo Natal, quando na verdade foi o oposto que aconteceu. Diversas práticas aparentemente cristãs presentes no Natal têm sua origem nas tradições do Hanukkah.

A origem da festa é anterior ao nascimento de Cristo, portanto, anterior ao Natal original.

A história se passa durante o Século II, antes de Cristo, quando a Terra Santa era governada pelos selêucidas (sírios-gregos), que tentavam forçar o povo de Israel a aceitar a cultura e as crenças gregas. Todo e qualquer culto fundamentado na Torah foi proibido e o Templo Sagrado em Jerusalém foi invadido e profanado.

Contra todas as probabilidades, um pequeno grupo de judeus fiéis, liderados por Judas Macabeu e seus irmãos, derrotaram um dos exércitos mais poderosos da época, expulsaram os gregos da Terra, recuperaram o Templo em Jerusalém e o “dedicaram” novamente ao Senhor.

É desta dedicação quem vem o nome da festa, pois “dedicação” em hebraico é “hanukkah”.

Um dos símbolos mais conhecidos da Festa de Hanukkah é o candelabro de 9 velas, chamado hanukkiah, que é diferente do candelabro original que havia no Templo, pois este tinha duas velas a menos e se chamava menorah.

Portanto, Hanukkah é a festa e hanukkiah o candelabro.

Durante o ano, nas festas e rituais, os judeus usam o candelabro de 7 velas, mas quando chega o Hanukkah eles passam a usar o candelabro de 9 velas. E a origem desta tradição remonta à época em que Judas Macabeu e seus irmãos libertaram o Templo de Jerusalém.

Logo depois de libertarem o Templo, os judeus começaram a reconsagrá-lo. Depois de limparem, retirando os ídolos, os Macabeus procuraram azeite puro para acenderem a menorah, mas só encontraram uma pequena botija, contendo azeite que dava para alimentar a menorah apenas por um dia. Como os sacerdotes precisavam de no mínimo 8 dias para preparar um novo azeite, eles contaram com a fé, para que a pequena botija durasse o tempo suficiente. E foi o que aconteceu. Miraculosamente, o azeite que deveria acabar em menos de 1 dia manteve a menorah acesa por 8 dias!

Nos anos que se seguiram, este milagre passou a ser comemorado pelos judeus numa festa chamada Festa da Dedicação, ou Chag Hanukkah. Como cada judeu passou a acender uma hanukkiah em sua casa, nesta altura do ano as cidade israelitas ficavam tão iluminadas que a festa passou a ser conhecida também como Festa das Luzes.

Jesus Cristo nasceu numa família judaica e dentro do contexto judaico, comemorou as festas às quais a Sua família era ligada. E não foi diferente com a Festa do Hanukkah. O evangelho de João registra que “em Jerusalém havia a festa da dedicação, era inverno, e Jesus andava passeando no templo, no alpendre de Salomão” (João 10:22,23). Era Jesus no Templo para Festa do Hanukkah.

Nos dias de hoje, os judeus continuam a comemorar o Hanukkah em memória destes eventos. Já os cristãos, que têm Jesus não só como o Messias de Israel, mas também como o Salvador da Humanidade, fazem outras ligações com a festa e com o seu simbolismo.

Na festa tradicional, os judeus acendem uma vela da hanukkiah por dia durante os 8 dias que antecedem a Festa da dedicação propriamente dita. Uma vela por dia, com a chama procedendo da vela central do candelabro.

A HANUKKIAH VELA POR VELA

Para os judeus messiânicos, e, por extensão, para os cristãos que reconhecem o lado judaico de Jesus, o ritual de acendimento das velas pode ter o seguinte significado.

As velas da hanukkiah são acendidas à partir da chama da vela central do candelabro. E isso é feito durante os 8 dias que dura a festa. Esta vela central, que serve de base para o acendimento das demais, é chamada de “Shamash”, que em hebraico é “Servo”. O simbolismo desta vela, à partir da qual a luz é repartida para as demais, é significativo, pois ela representa O Messias, Jesus. Quando o Filho de Deus veio ao mundo, Ele veio para servir e para nos trazer a luz, conforme se pode ler em João 9.5: “Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.”

Depois disso, depois de acesa a vela central, os judeus vão acendendo uma a uma as demais 8 velas. Os judeus em geral atribuem a cada uma das velas um número hebraico, simbolizado, como no início do Salmo 119, a uma letra do alfabeto hebraico. Já os judeus messiânicos, aqueles que reconhecem Jesus como O Messias, além de atribuírem a letra, fazem também uma interessante comparação entre cada uma das velas e um verso da Bíblia. Segundo esta comparação, todas as vela apontam para O Messias e podem ser resumidas assim.

A primeira vela, Alef, tem como relação direta o Deus Pai, tendo por base Deuteronômio 6.4: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor!”

A segunda vela, Bet, fala do Filho e de como Ele e o Pai são um. Aqui o texto bíblico utilizado é Amós 3.3: “Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?”

A terceira vela, ou Gimel, completa a Trindade, remetendo ao Espírito Santo. O texto escolhido neste caso é Eclesiastes 4.12: “E, se alguém prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa.”

A quarta vela, Dalet, é uma referência ao Deus Criador: “E foi a tarde e a manhã, o dia quarto. E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus.” (Gênesis 1:19-20)

A quinta vela está relacionada à letra He e os judeus messiânicos a tem como referência da Redenção e da Graça. O versículo escolhido neste caso é o famoso João 3.16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

A sexta vela tem ligação com a letra Vav e leva os judeus a pensarem em Jesus feito homem. O versículo chave aqui é Efésios 2.15: “Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz.”

A sétima vela, ou Zain, remete à perfeição espiritual, relacionada à forma como Deus agiu depois da criação do mundo: “E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera.” (Gênesis 2.2-3)

E, por fim, no oitavo dia, é acesa a última vela, a quem os judeus atribuem a letra Het e os messiânicos ligam à noção de superabundância e de um novo recomeço. O versículo-chave neste caso é Filipenses 4.13: “Tudo posso naquele que me fortalece”.

Neste dia em que o mundo judaico festeja o Hanukkah, judeus e cristãos têm um ponto em comum: a ligação do Messias de Israel, do Salvador da humanidade, com a festa mais iluminada do calendário religioso de ambos.

Feliz Natal para todos os Cristãos e Chag Hanukkah Sameach para os Judeus.

ANDS

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