BDS

Embaixada brasileira em Jerusalém

A mudança da embaixada brasileira para Jerusalém e o argumento ridículo dos árabes

“Israel é um estado soberano. Se os israelenses decidem qual é a sua capital, nós vamos agir de acordo com esta escolha. Quando me perguntaram durante a campanha eleitoral se eu transferiria a embaixada brasileira para Jerusalém, eu disse que sim, e que são os israelenses quem decidem qual é a capital de Israel e não outras pessoas.” (Jair Messias Bolsonaro em sua primeira entrevista internacional)

O presidente eleito do Brasil vai cumprir sua promessa e transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém. Repetirá o gesto do seu homólogo norte-americano Donald Trump. E os países árabes já começaram a contestação.

Em termos de Brasil, o mais surpreendente, ou não, é a reação de certos setores da mídia. Segundo a Folha de S. Paulo (sempre ela), para o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rubens Hannun, “a mudança da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém pode ‘riscar’ as relações comercias entre o Brasil e os países árabes”.

A Folha, citando Rubens Hannun, diz que a decisão de Bolsonaro “pode espantar os planos árabes para o Brasil”.

Além de ameaçar o Brasil com o cancelamento da compra de “proteína animal”, Hannun afirma que “o país pode deixar de receber investimentos em infraestrutura dos países árabes”.

Planos de investimentos em infraestrutura?! Sim, Hannun disse à Folha que pretende apresentar um estudo ao novo governo com os projetos de investimento da Liga Árabe no Brasil. “Cerca de 40% dos fundos soberanos estão nesses países e eles já demonstraram interesse em investir em infraestrutura no país, como estradas, ferrovias e elétricas. São planos futuros que podem ser cortados”, concluiu o representante árabe.

Quer dizer que depois de 15 anos de governos pró-árabes, depois de 15 anos de governos pró-palestinos, depois de 15 anos de costas viradas para o Estado de Israel e para o seu povo, só agora, quando o Brasil passará a ter um governo pró-Israel é que a Liga Árabe resolveu investir no Brasil?!

UMA PEQUENA LIÇÃO DE HISTÓRIA

Proponho aos meus leitores uma volta no tempo para percebermos o quão hipócritas são os argumentos árabes. E para esta pequena lição de história nem precisamos voltar tanto no tempo, mas apenas 14 anos, lá pelos primórdios do primeiro governo Lula da Silva.

No final de dezembro de 2003, quando Luís Inácio Lula da Silva concluía o seu primeiro ano no poder e surfava na onda de “presidente mais popular da história”, eu escrevi um artigo que ia na contramão da euforia que varria o país. O ex-presidente Saddam Hussein acabara de ser preso e a imagem de um velho decadente e deprimido estava estampada em jornais de todo o mundo. No artigo, publicado no dia 28 de dezembro sob o título de “O Efeito Orloff”, especulei que se Lula da Silva continuasse a se posicionar contra Israel da forma como vinha fazendo, seu fim seria igual ao do ditador iraniano.

Menos de 1 ano e meio depois, em abril de 2005, voltei ao tema, pois o governo brasileiro estava tomando decisões cada vez mais desastrosas. E grande parte destas decisões apontavam para uma aproximação unilateral com os países árabes onde os beneficiados eram apenas eles, os árabes. E o que é pior, o Brasil afastava-se cada vez mais de um parceiro histórico importante, o Estado de Israel.

Naquela oportunidade, relembrei que antes do governo Lula, era comum ver nos eventos sobre agricultura irrigada a presença de stands do governo israelense. A parceria brasileira era evidenciada por grandes negócios intermediados pela Câmara de Negócios Brasil-Israel. Como resultado, estados como o Ceará, comemoravam recordes sobre recordes de safras, pois a parceria Brasil-Israel viabilizava centenas de projetos de irrigação por todo o país.

Mas, naquele ano, realizou-se em Fortaleza o congresso Irriga Ceará que sequer contou com a presença de representantes da Câmara Brasil-Israel. Outro evento que chamou a atenção pela pompa com que foi realizado, com delegações estrangeiras invadindo o Nordeste, foi o Encontro América do Sul-Países Árabes sobre Semiárido e Recursos Hídricos. Um encontro que se propunha a desenvolver projetos de irrigação por todo o Nordeste e que contou com a participação de “especialistas em recursos hídricos” de 14 países. Da América do Sul participaram especialistas do Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai e Peru. E para nos ensinar como lidar com as limitações hídricas em áreas desertas vieram “especialistas” da Arábia Saudita, Argélia, Egito, Jordânia, Marrocos, Síria e Tunísia. Quem mais entende de irrigação em todo o mundo não veio. Israel ficou de fora.

Nos anos que se seguiram, o Nordeste brasileiro não recebeu um único investimento significativo da Liga Árabe e os nordestinos continuaram dependentes da famigerada (mas necessária) Bolsa Família. E os nordestinos, pessoas honradas, foram entrando num círculo vicioso que foi brilhantemente descrito por dois dos seus maiores poetas populares, Luiz Gonzaga e Zé Dantas: “Mas doutor uma esmola / A um homem que é são / Ou lhe mata de vergonha / Ou vicia o cidadão.”

Os nordestinos continuaram famélicos, continuaram dependentes, mas teve uma casta que foi beneficiada pelas políticas árabes: Os empresários.

Conforme escrevi na época, a pauta das exportações para os países árabes foi desenvolvida pelo Ministro do Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, que tinha por chefe de gabinete o primo Magalhães Furlan. O principal item na pauta das exportações era a mesma “proteína animal”, cuja compra os árabes agora prometem boicotar. Acontece que a principal “proteína animal” exportada para os países árabes era o frango, cujo maior produtor na época era a Sadia, que tinha como presidente do Conselho Administrativo nada mais nada menos que o Sr. Luiz Fernando Furlan.

Em nome dos interesses pessoais de um empresário, o Brasil afundou-se num comércio unilateral com os países árabes, os mesmos árabes que nunca investiram no Brasil e que prometem agora deixar de comprar frangos se o Brasil respeitar o direito legítimo de Israel agir como estado soberano.

Em junho de 2017, 12 anos depois do artigo-denúncia que escrevi, o Sr. Luiz Fernando Furlan estava prestando depoimento diante do juiz Sérgio Moro no processo decorrente da Operação Lava Jato. Dez meses depois, a Polícia Federal prendia Luís Inácio Lula da Silva, que acabou sua carreira de forma tão melancólica quanto Saddam Hussein. A sorte de Lula da Silva é que ele não foi julgado por um juiz árabe, pois poderia acabar ele também com uma corda no pescoço.

NOTAS
1. Para ler o artigo que escrevi há 15 anos, clique aqui.
2. Infelizmente quase todos os links apontados por mim no artigo foram removidos da Internet, razão pela qual, atualmente quando escrevo, além de guardar os links passei a dar print nas matérias mais significativas.

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