Bolsonaro

A PRIMEIRA ENTREVISTA INTERNACIONAL DE JAIR BOLSONARO FOI PUBLICADA EM HEBRAICO

A primeira entrevista do presidente eleito, Jair Bolsonaro foi concedida ao diário israelense Israel Hayom (Israel Hoje). Falando ao editor-chefe, Boaz Bismuth, Bolsonaro disse que Israel pode contar com o apoio do Brasil na Organização das Nações Unidas e confirmou a intenção de transferir a Embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém. Eis aqui a íntegra da entrevista.

Israel Hayom: O senhor sabia que seu nome, Jair, em hebraico significa “trazer luz”?

Messias Bolsonaro: “Sim, fui informado disso não há muito tempo. Tenho a orientação moral de um homem que pretende fazer o melhor possível por seu país e pretende estreitar as relações com outros países que pensam da mesma forma que nós e que defendem eleições democráticas, liberdade e respeito para com todos.

Eu estive em Israel há dois anos e pretendo voltar. O embaixador de Israel no Brasil [Yossi Shelly] visitou-me duas vezes esta semana, e eu sempre tive uma excelente relação com ele. Estou muito feliz por ter sido tratado tão calorosamente e por saber que um enviado oficial do Estado de Israel me trata desta forma. [E o respeito] é mútuo. Eu amo o povo de Israel e amo Israel. Esteja certo de que eu vou promover a aproximação e a cooperação frutífera entre os nossos países a partir de 2019.”

Israel Hayom: O senhor disse várias vezes que pretende transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém. O senhor fará mesmo isso? E o senhor pretende mudar o status da Embaixada da Palestina em Brasília?

Messias Bolsonaro: “Israel é um estado soberano. Se vocês decidem qual é a sua capital, vamos agir de acordo [com esta escolha]. Quando me perguntaram durante a campanha eleitoral se eu faria isso [transferir a embaixada], eu disse que sim, e que são vocês que decidem qual é a capital de Israel, e não outras pessoas.

Em relação à embaixada da Palestina, ela foi construída muito perto do palácio presidencial. Como nenhuma embaixada pode estar tão perto do palácio presidencial, pretendendo sim mudá-la. Na minha opinião, não há outra opção. Além disso, a Palestina precisa primeiro ser um estado para depois ter o direito a uma embaixada.”

Israel Hayom: Israel pode esperar votos mais justos vindos do Brasil nos fóruns internacionais, como a ONU, em assuntos que envolvam Israel?

Messias Bolsonaro: “Vocês podem contar com o nosso voto na ONU. Eu sei que muitas vezes a votação é quase simbólica, mas ajuda a definir a posição que um país pretende tomar. Tenha certeza de que vocês poderão contar com o nosso voto na ONU em qualquer questão que tiver a ver com Israel.”

Israel Hayom: A que o senhor atribui a sua vitória eleitoral e qual é o plano geral para a sua administração?

Messias Bolsonaro: “A vitória se deve a várias fatores: o povo brasileiro se cansou dos políticos que fizeram da política uma profissão; a corrupção; o desprezo pelos valores familiares; a ligação do governo anterior com o socialismo e o comunismo e, claro, com o fato de que nós levantamos a bandeira da verdade.”

Israel Hayom: O senhor ficou surpreso com o apoio popular, com os resultados e com o aumento da representação do seu partido no Congresso Nacional?

Messias Bolsonaro: “O nosso partido tinha apenas 1 membro no parlamento e agora temos 52, apesar de não termos tempo de televisão nem fundos partidários. A campanha dependeu bastante das redes sociais e agora somos 10% do parlamento. E ainda conseguimos obter o apoio de outros partidos e de legisladores independentes, para que não tenhamos problemas para governar.

Eu não fiquei surpreso, porque comecei a andar pelo Brasil há 4 anos. O Brasil é muito grande. Israel é menor que o nosso menor estado [Sergipe], então imagine isso multiplicado 26 vezes. Ao longo de 4 anos nós conseguimos alcançar todas as partes do Brasil. Ao falar a verdade nós ganhamos a simpatia e a confiança do eleitorado brasileiro, e mesmo estando no hospital por 23 dias e em casa por mais 20, e não pudesse sair [após o atentado], vencemos por uma grande margem de votos.”

Israel Hayom: O senhor está orgulhoso da longa caminhada eleitoral que o senhor percorreu e acha que a tentativa de assassinato afetará a sua presidência?

Messias Bolsonaro: “Há 28 anos faço parte de um parlamento que não é apoiado pelo povo. É um parlamento que virou as costas para o povo há muito tempo. Mas o fato é que eu sou um sobrevivente desse parlamento. Antes de entrar para a política eu fiz parte do exército brasileiro por 17 anos, e pelo que eu sei, em Israel quase todos têm experiência militar. Na vida militar se aprende o nacionalismo e seus valores, seus princípios são moldados – aprende-se o significado de responsabilidade, patriotismo, sacrifício e sentido. Tudo isso molda a sua personalidade”.

Israel Hayom: O que o senhor acha das pessoas que dizem que o senhor representa uma ameaça à democracia?

Messias Bolsonaro: “Elas não podem me acusar de ser corrupto. Enquanto isso, o governo [anterior de esquerda] agiu de várias maneiras – controlando o público através da mídia; reescrevendo a constituição; nacionalizando ativos, o que fez baixar o valor da propriedade privada; apoiando ditaduras em todo o mundo. É isso o que a esquerda faz, enquanto carrega em baixo do braço os livros que Lenin escreveu sobre o comunismo. A esquerda culpa sempre os outros pelas coisas que ela mesmo faz. Mas o povo brasileiro, que tem se libertado da mídia tradicional, confiou na minha palavra e no meu passado.”

Israel Hayom: O senhor poderia esclarecer as suas atitudes em relação à comunidade homossexual, mulheres, negros e minorias? Eu me lembro de um comentário atribuído ao senhor onde dizia que preferia ter um filho morto a ter um filho gay.

Messias Bolsonaro: “Em 2010, o governo do PT queria mostrar vídeos de natureza sexual para crianças de 6 anos de idade com o objetivo de combater a homofobia. Até onde eu sei, essa ideia não existe em Israel ou em qualquer sala de aula de escolas do primeiro mundo. O PT queria expor as nossas crianças ao sexo numa idade muito precoce abrindo uma enorme porta para a pedofilia. Eu não tenho nada contra os homossexuais, qualquer um pode ser feliz da maneira que quiser. Mas mostrar filmes desse gênero para crianças de 6 anos? Eu não posso concordar com isso. O presidente Trump também foi bastante atacado durante a sua campanha eleitoral – e ele está fazendo um trabalho fantástico nos EUA, tão notável que há muitas coisas que eu uso como referência para o que estou fazendo no Brasil.”

Tradução: JORDANA KEDOSHIM

ANDS | ISRAEL HAYOM

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