Antisemitismo

STARBUCKS DESCOBRE QUE BOICOTAR ISRAEL NÃO GARANTE POPULARIDADE

No próximo dia 29 de maio, a cadeia Starbucks de cafés vai fechar 8.000 lojas nos Estados Unidos durante toda uma tarde para uma “formação de sensibilização racial” entre os seus funcionários. É a Starbucks uma empresa racista? Não. Então porque a formação? Porque a Starbucks está a ser vítima de um sistema que ela própria alimenta.

No dia 12 de abril, dois homens entraram numa Starbucks e ficaram a conversar, sem consumir nada, limitando-se apenas a utilizar o WC do estabelecimento. A gerente então instou-os a consumir ou a se retirar, afinal de contas a Starbucks é uma fast-food e não um abrigo social. Os dois homens resistiram. A gerente acionou a polícia e a polícia os deteve.

A ocorrência tinha tudo para ser mais uma discussão banal que acontece entre clientes e empresas em qualquer lugar do mundo, mas neste caso há diversos elementos envolvidos, elementos que quando combinados têm o poder de despoletar uma verdadeira dinamite social.

Primeiro, os dois homens eram negros e a gerente branca. Segundo, esta Starbucks fica na Philadelphia, uma cidade com longo histórico de pendengas inter-raciais. Terceiro, a Starbucks é um dos símbolos do estilo americano de vida e está sempre no olho do furacão quando acontece alguma manifestação anticapitalista. Quarto, na mesa ao lado – Surpresa! – estava uma ativista dos direitos humanos, que munida de um telefone móvel, gravou toda a cena e postou nas redes sociais. Boom!

Imediatamente explodiram protestos contra a Starbucks assim como explodiram também os acessos à rede social da ativista que – Coincidência! – é uma autora em início de carreira com seu primeiro romance profusamente divulgado na mesma rede social.

Nos dias que se seguiram à divulgação do vídeo, a Starbucks assistiu assustada a uma onda de protestos por todo o país. O CEO da companhia encontrou-se com os “gentlemen” detidos, pediu desculpas e concedeu entrevistas dizendo que a Starbucks não é uma empresa racista.

Nem precisava. Basta googlar imagens e vídeos da companhia para encontrar funcionários negros e mesmo vídeos institucionais – de 2012 e não de agora – onde a empresa se orgulha de ter “partners” das mais diversas etnias.

A empresa anunciou também a demissão da gerente e o fechamento das 8.000 lojas para um “retiro espiritual” visando preparar seus funcionários para lidar com esta “nova religião”, chamada “politicamente correto”. Não vai adiantar muito, pois a gritaria nas redes sociais é grande.

O que impressiona é que em tempos de imensas facilidades de acesso a informações, milhares de pessoas ainda se deixam levar por ideologias, sem questionar todos os matizes dos factos que lhes são apresentados. Típico comportamento de manada.

Poucos foram aqueles que notaram que este é mais um caso de percalço administrativo do que uma situação de conflito racial. E como procurar detalhes cansa, é mais fácil, cômodo e popular juntar-se à manada: “Boicote Starbucks!”

Quando se investiga um pouco mais, percebe-se que a história tem detalhes que passam ao largo do que dizem as reportagens.

A CBS News destacou que “o prefeito democrata Jim Kenney, que é branco, disse que o que aconteceu no Starbucks é um exemplo de discriminação racial”.

A CBS fez questão de dizer que o prefeito além de democrata é branco, mas não disse que o segurança do supermercado é negro, que o comissário de polícia da cidade é negro, que a gerente demitida fez carreira na área de atendimento e para melhorar a relação com o público latino foi à Espanha para aperfeiçoar o espanhol. A CBS não disse nada disso.

No rastro da polêmica, a polícia divulgou a gravação da denúncia, onde se pode ouvir a gerente dizer: “Eu tenho ‘dois gentlemen’ no meu café que estão se recusando a comprar alguma coisa ou a sair”. Observaram? Ela disse “dois cavalheiros”, “dois senhores” e não “dois elementos” ou “dois negros”.

O pivô da confusão não é desfavorecido social. Formado em Finanças pela tradicional Bloomsburg University, Rashon Nelson (foto acima) conhece bem a mecânica operacional das cadeias de fast-food e sabe que a rotatividade no atendimento é um dos segredos do negócio. Rashon Nelson também não é um ingênuo, tanto é que – Surpresa! – já constituiu advogados e se for hábil conseguirá sair desta situação toda com uma boa grana no bolso.

Mesmo educada, a gerente, Holy Hilton, foi jogada às feras. Perdeu o emprego e terá imensas dificuldades para voltar ao mercado de trabalho nesta área, que é a sua especialidade. Há algum tempo, uma amiga de outra loja mandou-lhe uma mensagem lamentando que ela não estivesse ao seu lado, pois havia clientes espanhóis e ela não sabia como atender. Na resposta, Hilton disse que naquele momento estava lidando com clientes japoneses, chineses e árabes. De nada adiantou sua larga experiência nem seu empenho em agradar às tais minorias, pois as redes sociais acabaram com sua reputação.

Quanto à Starbucks, resta juntar os cacos e tentar restaurar a imagem arranhada. O irônico é que procurando preservar a marca, a cadeia americana desistiu de operar em Israel depois de uma intensa campanha do movimento Boicote, Desinvestimentos & Sanções.

Com cerca de mil cafeterias instaladas em países muçulmanos – só no Oriente Médio são 600 unidades – foi mais cômodo para a Starbucks ceder as pressões dos ativistas do que investir em Israel. Pelo jeito, estes ativistas não valorizam muito quem atende às suas conclamações.

ANDS | INTERNET

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s