Antisemitismo

O CHOCANTE ASSASSINATO DE MIREILLE KNOLL

APRESENTAVA-SE COMO UM MUÇULMANO MODERADO, ERA ACOLHIDO PELA IDOSA DE 85 ANOS EM QUEM DESFERIU 12 FACADAS E DEPOIS ATEOU FOGO AO CORPO.

Foi salva da Shoah em 1942 graças a um passaporte brasileiro. Viveu por 85 anos na França, residindo atualmente em Bagneux, no Alto Sena. Tinha um vizinho de 20 anos, que recebia com frequência em sua casa e quem tratava muito bem, mesmo sabendo que se tratava de um muçulmano. O vizinho, cujo nome ainda não foi divulgado, era um muçulmano moderado e aparentemente ecumênico, pois não via problemas em frequentar a casa da idosa. Neste final de semana, acompanhado de outro jovem, esfaqueou a idosa por 12 vezes e a seguir ateou fogo ao corpo.

SALVA POR UM PASSAPORTE BRASILEIRO

Mireille Knoll escapou de um dos mais dramáticos ataques a judeus em solo francês durante toda a II Guerra Mundial, numa ação que passou para a História com o nome de La rafle du Vel’ d’Hiv’, quando, nos dias 16 e 17 de julho de 1942, 13.152 pessoas foram levadas para o Velódromo de Inverno (Vel’ d’Hiv’) onde permaneceram detidas por 4 dias.

Entre os prisioneiros havia 4.115 crianças, que foram amontoadas nos degraus deste estádio que era utilizado nas competições de ciclismo, e logo depois foram transportados para os campos de concentração de Beaune-la-Rolande e Pithiviers. Ao fim da guerra, quase todos haviam morrido. Menos de uma centena deles sobreviveram, incluindo Mireille Knoll, que salvou-se graças ao passaporte da mãe, um passaporte brasileiro.

Depois desta tragédia, Mireille Knoll cresceu na França libertada, nunca quis fazer Aliá, ou seja, não quis mudar-se para Israel. Casou-se com outro sobrevivente do Holocausto e continuou a morar na França. Nos últimos anos passou a enfrentar a doença de Parkinson, razão pela qual se movia com dificuldade e era acompanhada por uma enfermeira.

Mesmo com suas limitações, Mireille Knoll frequentava os serviços da sinagoga local e recebia visitas em seu apartamento, e entre estas visitas, recebia também o jovem muçulmano que a matou. “Minha mãe o conhecia muito bem e o considerava como um filho”, disse à polícia Daniel Knoll, filho de Mireille.

Na manhã desta terça-feira, 27, duas pessoas foram indiciadas pelo assassinato de Mireille. Depois de inicialmente descartar razões religiosas a polícia tratou pela primeira vez o brutal assassinato como “um crime antissemita”.

Mireille será sepultada nesta quarta-feira, 28, em Bagneux, e logo a seguir ao sepultamento, a comunidade judaica local fará uma caminhada-protesto em memória da idosa. A caminhada, denominada “Marcha Branca” está sendo organizada pelo Conselho Representativo de Instituições Judaicas na França.

O assassinato de Mireille Knoll deixou chocada, uma vez mais, a pacata comunidade judaica francesa e ocorre um ano depois que Sarah Halimi, uma médica judia aposentada, foi também espancada e atirada da janela do seu apartamento em Paris.

Neste outro caso, a vítima tinha 65 anos e dizia temer sim o autor do crime, crime este que causa constrangimento à polícia francesa que insiste em tratar o caso como um crime de demência e não um crime antissemita, mesmo que o assassino, ao atirar o corpo de Sarah pela janela estivesse a gritar “Allahu Akhbar”.

ANDS | LE PARISIEN | TOI

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