Chaguim

HANUKKAH OU NATAL

A IGREJA PRIMITIVA NÃO CELEBRAVA O NATAL MAS JESUS OBSERVOU O CHANUKKAH.

E em Jerusalém havia a Festa da Dedicação, e era inverno. E Jesus andava passeando no templo, no alpendre de Salomão” (João 10:22,23).

jewish family celebrating hanukkah
Família típica judia celebrando o Hanukkah

A Festa da Dedicação é uma festa milenar na qual os judeus desde 164 a.C. celebram a vitória dos macabeus sobre o rei Antíoco IV, rei da Síria. É nas páginas do Novo Testamento, exatamente no Evangelho de João, que vamos encontrar pela primeira vez na literatura a menção da festa: “E em Jerusalém havia a Festa da Dedicação, e era inverno” (João 10:22).

O Tanakh judaico, ou seja o Antigo Testamento, foi concluído antes dessa data, por isso não faz menção ao acontecimento, embora o livro de Daniel contenha profecias sobre a celebração do evento. É nos livros apócrifos de 1, 2, 3 e 4 Macabeus que encontramos o relato dos acontecimentos e as perspectivas históricas daqueles dias.

Antíoco, recentemente derrotado no Egito, expressou sua frustração ao atacar a Judeia implacavelmente, matando homens, mulheres e crianças e invadindo o Templo. Ali removeu o altar de ouro, as menorot e os vasos; e para mostrar sua desconsideração pelo Deus de Israel sacrificou um porco a Zeus. Antíoco proibiu ainda a circuncisão, a observação do Shabat e a alimentação apropriada para os judeus, ou seja, a alimentação kosher. Também ordenou que somente porcos, um dos mais impuros dos animais, fossem sacrificados no Templo. O próprio Antíoco cozeu um suíno no Templo e derramou sangue do mesmo nos santos rolos da Torah bem como sobre o altar.

Os oficiais sírios foram encarregados de cumprir esses decretos cruéis e blasfemos, mas um dia, quando o comandante sírio em Modiin ordenou a Mattityahu HaMakkabi (Matatias o Macabeu), líder de uma família de kohanim (sacerdotes) que sacrificasse mais um porco, ele e seus cinco filhos se recusaram e mataram um judeu que consentiu em fazê-lo. Depois, mataram o oficial e seus soldados. Começava assim uma rebelião contra as forças invasora e profanas.

Após a morte de Matatias, seu filho Judas Macabeus (sobre quem Handel escreveu um oratório homônimo) ajuntou um número de judeus corajosos e levou-os a vitória sobre os sírios, primeiramente numa batalha de guerrilha e depois numa batalha aberta.

No 25º dia de Kislev eles rededicaram o Templo ao SENHOR e consagraram o altar. A Ner Tamid (Luz Eterna) foi novamente acesa, mas como havia azeite consagrado para mantê-la queimando por apenas um dia, correu-se o risco desta se extinguir, uma vez que não havia tempo hábil para preparar mais azeite. Por um milagre de Deus, registrado no livro de 2 Macabeus, a luz permaneceu acesa por oito dias, e no final desse tempo, o novo suprimento de azeite santo já tinha sido preparado. Esta é a razão pela qual os judeus, até hoje, celebram a Festa do Hanukkah por oito dias, começando no dia 25 de Kislev, período que neste ano (2014) começa na terça-feira, 16 de dezembro, e prolonga-se até o dia 24 de dezembro, véspera do Natal cristão.

A Bíblia não registra a data do nascimento de Jesus Cristo, talvez como uma medida preventiva contra a adoração do dia, algo bastante natural na realidade pagã predominante nos tempos do nascimento de Cristo. O objetivo das Sagradas Escrituras foi o de reservar a adoração Àquele que é digno de ser adorado e não à Sua data natalícia.

Mesmo não tendo sido alvo de adoração, é interessante observar como os primeiros crentes no Messias aparentemente viam uma ligação entre a festa típica daquela época, o Hanukkah, e o nascimento do próprio Messias. Para eles, o Hanukkah dizia respeito à edificação do Templo terreno, enquanto que o nascimento de Cristo estava relacionado com o Templo vivo de Deus que veio do céu, pois o próprio Jesus fez tal comparação quando disse, “derribai este templo, e em três dias o levantarei” (João 2:19).

Assim, desde o final do século III, o dia 25 de dezembro, a data do calendário romano correspondente a 25 de Kislev, tem sido geralmente aceita como o Natal nas igrejas do Ocidente, menos para a Igreja Ortodoxa Grega que o observa em 6 de janeiro e para os armênios que fazem o mesmo no dia 19 de janeiro.

No mundo Ocidental secular, tanto o Natal quanto o Hanukkah foram distorcidos. O Natal tornou-se uma extravagância comercial, expressando a “religião civil ocidental” de trivialidades piedosas e costumes sem significado, tais como árvores, Papai Noel (Pai Natal, em Portugal) e trocas quase que obrigatórias de cartões e presentes. Embora completamente descaracterizada, a época é aproveitada por alguns cristãos sinceros que aproveitam o clima festivo da ocasião para a realização de reuniões familiares e atividades evangelísticas em suas igrejas.

Da mesma forma, para os judeus, Hanukkah tornou-se uma espécie de refúgio e defesa contra a absorção e a assimilação pela maioria gentia: “Não celebramos o Natal; celebramos Hanukkah, somos judeus”. A troca de presentes no Hanukkah (um presente a cada noite) é uma tradição judaica relativamente moderna, mais presente nos lares norte-americanos que nos europeus, e é obviamente desenvolvida em resposta à antiga tradição de presentes de Natal. Os judeus messiânicos, que reconhecem Jesus como O Messias, honram Hanukkah como uma ocasião para dedicarem-se mais a Deus e ao seu Messias.

A Hanukkah é celebrada usando uma menorá especial, com nove lâmpadas, que é chamada de Hanukkiah. Usa-se um fósforo para acender a vela central, a shammash (luz serva) e essa é então utilizada para acender uma luz na primeira noite; duas na segunda e assim por diante até que na oitava noite todas as oito luzes e a shammash estejam queimando brilhantemente. Para os judeus messiânicos, a simbologia é riquíssima: Jesus é a Luz do mundo (João 8:12), veio como servo (Marcos 10:45) para dar luz para todos (João 1:4-5), para que possamos ser luz para os outros (Mateus 5:14).

Se observarmos bem veremos que o Natal em si não pode ser considerado uma festa bíblica. Se há algo apropriado para observar-se neste período este algo é a festa judaica; pois o que é mais digno de celebração voluntária do que a vinda do Messias judaico ao mundo, através de Quem todos têm a luz da vida? Além do mais, não há nenhum registro de que os primeiros cristãos tenham celebrado o nascimento de Cristo, entretanto todos os judeus daquela época, incluindo Cristo, celebraram o Hanukkah.

CHAG HANUKKAH SAMEACH LEKULAM! FELIZ FESTA DE HANUKKAH PARA TODOS!

São os votos do Blog Notícias de Sião.

Lighting the candles of Hanukkah
Josh Kedoshim usa a shammash para acender a primeira vela da hanukkiah

Texto adaptado por Roberto Kedoshim do The Gospel in The Feasts of Israel, de Victor Buksbazen, com notas do Comentário Judaico do Novo Testamento, de David Stern, ambos Judeus Messiânicos.

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