Humor

SHIMON PERES EM QUEDA

O OCASO DO MITO

O ex-presidente de Israel Shimon Peres propôs a Jorge Mario Bergoglio a criação da ORU, a Organização das Religiões Unidas, uma espécia de ONU das religiões. O Secretário Geral seria o próprio papa.

Shimon Peres and Pope

Michael Bar-Sohar escreveu uma magnifica biografia de Shimon Peres. São pouco mais de 400 páginas divididas em três partes: maravilhosa, intrigante e melancólica. Bar-Sohar descreve a vida de Peres no galut, ou seja, como judeu disperso na Polônia, e o transporta para o incipiente Estado de Israel de meados do Século XX. Não há como não se emocionar ao lermos sobre o sionismo latente naquele jovem que lutava juntamente com outros olim (imigrantes) pelo restabelecimento de um Estado hebreu na Judeia e Samaria.

Mas, a medida que avançamos na leitura, Bar-Zohar vai descrevendo um Peres aparentemente mais preocupado em agradar e ser agradado do que a defender seus antigos ideais. Peres sucumbe diante da fama e passa a fazer o jogo que agrada aos inimigos de Israel. Não creio que o faça de propósito, mas quanto mais idoso fica, mais tolo parece tornar-se. Triste.

À partir do capítulo 29 instala-se a melancolia. Shimon Peres, que chegou à Terra Santa com o nome de Szymon Perski, parece esquecer-se da Gypaetus Barbatus, a gigantesca ave que em hebraico é chamada de “Peres” e que inspirou o recém chegado imigrante a adotar o nome que o tornaria mundialmente conhecido. E uma citação do ex-premier Yitzhak Shamir feita em 1987 apontava os desdobramentos que se segueriam: “Péres é um homem com um passatempo intrigante chamado conferência internacional”.

De lá para cá a biografia de Peres parece desintegrar-se. A fixação de agradar a gregos e troianos foi sepultando conferência após conferência a outrora imponente imagem do líder. No ocaso da vida, e depois de deixar o cargo de 9º Presidente do Estado de Israel, Peres continua a buscar holofotes. O episódio mais recente aconteceu no último dia 04, quando Peres foi recebido pelo Papa Francisco e fez-lhe uma proposta estapafúrdia: a criação de uma Organização das Religiões Unidas.

As agências de notícias dão conta que a proposta foi feita durante uma reunião na Casa de Santa Marta, a residência oficial do Papa, e que o argumento de Peres partiu da convicção pessoal de que “O Santo Padre (sic) é um líder respeitado por muitas pessoas de várias regiões”. Depois de dizer que Francisco “é o único líder verdadeiramente respeitado”, o ex-presidente de Israel teve a ideia e a propôs ao papa porque “a Organização das Nações Unidas teve o seu tempo e agora o que convém é [estabelecer] uma ONU das religiões, uma Organização das Religiões Unidas”.

Quem acompanha o ocaso do político Peres vê repetir-se aqui a mesma ingenuidade que o decepcionou quando pensou coisas semelhantes de líderes como Yasser Arafat. Para Peres, a criação da ORU “seria a melhor maneira para acabar com estes terroristas que matam em nome da fé, porque a maioria das pessoas pratica as suas religiões sem matar ninguém e sem sequer o pensar”. Peres considera que a atual ONU é “um organismo político, mas não tem a convicção que as religiões geram”, pelo que qualquer declaração do seu secretário-geral “não tem a força, nem a eficácia de qualquer sermão do papa, que reúne meio milhão de pessoas na Praça de São Pedro”.

Se Szymon Perski tivesse escolhido o sobrenome Fenix talvez pudéssemos esperar por um renascer das cinzas, mas como optou por Peres, os últimos dias desse grande homem pode ser tão melancólico quanto é a biografia terminada por Bar-Zoha em 2005. Isso porque, por mais imponente que seja, o Peres é uma ave necrófaga. Não uma ave necrófaga qualquer, mas uma ave que espera que as outras aves devorem as carcaças dos animais putrefatos para só depois alimentar-se dos ossos que restam.

PARA REFLETIR E/OU INQUIETAR

No final do capítulo 17 do evangelho de Lucas encontramos a seguinte passagem:

Peres the bird“E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem. Comiam, bebiam, casavam, e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio, e os consumiu a todos. Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: Comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas no dia em que Ló saiu de Sodoma choveu do céu fogo e enxofre, e os consumiu a todos. Assim será no dia em que o Filho do homem se há de manifestar. Naquele dia, quem estiver no telhado, tendo as suas alfaias em casa, não desça a tomá-las; e, da mesma sorte, o que estiver no campo não volte para trás. Lembrai-vos da mulher de Ló. Qualquer que procurar salvar a sua vida, perdê-la-á, e qualquer que a perder, salvá-la-á. Digo-vos que naquela noite estarão dois numa cama; um será tomado, e outro será deixado. Duas estarão juntas, moendo; uma será tomada, e outra será deixada. Dois estarão no campo; um será tomado, e o outro será deixado. E, respondendo, disseram-lhe: Onde, Senhor? E ele lhes disse: Onde estiver o corpo, aí se ajuntarão as águias“.

A palavra “águia” aqui citada é αετός no grego e נשר no hebraico e refere-se ao nome comum dado às aves de rapina da família Accipitridae, justamente a família à qual pertence a gigantesca ave que os judeus chamam de… Peres.

2 respostas »

  1. Olha amigo, acho que estamos na reta final deste mundo como o conhecemos. Hoje esta ideia de uma ONU das religiões, sobre o comando do Império Babilônico papal, é inquietante, sem dúvidas.

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