Antisemitismo

CHUPA CABRAS VERSUS ASTAROTE

NA GUERRA DA MENTIRA ISRAEL É SEMPRE UM ALVO

A deusa Mídia, ávida por monstros e vilões, elegeu Israel como o seu Chupa Cabras favorito. Não importa a realidade, o que vale mesmo é a imagem distorcida, retroalimentada pelo odioso antissemitismo que faz do judeu um personagem abjeto da história da humanidade, quando na verdade é justamente o oposto.

Fruto do imaginário popular, eis o famoso Chupa Cabras.

O pianista francês Joseph-Maurice Ravel é autor de meia centena de intrincadas obras, mas ficou mais conhecido por uma musiqueta banal, chamada Bolero a qual ele classificou como “uma peça para orquestra sem música”. Magoava-lhe o fato de que seus admiradores escolhessem a mais trivial das composições como marca registrada da sua genialidade. Ele não se conformava com o fato de que uma peça, composta apenas de um movimento, pudesse encantar tanta gente. Morreu frustrado, como que a dizer: Pessoal, eu compus coisa melhor.

Lembro-me sempre de Ravel quando passo os olhos pelas estatísticas do blog onde escrevo, Notícias de Sião. Sendo uma publicação voltada para a defesa da verdade em relação ao Estado de Israel, é natural que a maioria das matérias versem justamente sobre isso. Embora volta e meia eu me permita escrever sobre algum outro assunto, dos 186 artigos publicados desde a sua criação, a maioria absoluta mostra o quanto Israel e seu povo são surpreendentes. Mas, infelizmente o mais popular de todos os artigos escritos é um matéria a respeito de um tema sobre o qual por muito tempo resisti me debruçar: Os Iluminatis.

A cada 10 visitas que o blog recebe via “motores de busca”, 9 chegam porque os leitores googaram expressões como “Funeral Iluminatis”, “Clube Bilderberg” ou “Astarote”. Pois é, na lista de interesse de grande parte dos visitantes, Astarote é mais significativa que David Ben Gurion. Tal qual Ravel eu lamento: Pessoal, eu escrevi coisa melhor!

Trecho da partitura de Bolero. Para Ravel era uma obra menor.

O PARADIGMA CHUPA-CABRAS

Quem mantém um blog o faz com o objetivo de expressar idéias, compartilhar notícias ou defender ideologias. Para alcançar sucesso nesta empreitada é necessário gerar fluxo, ou seja, ter visitas. E para atingir este objetivo lança-se mão de engenhosos estratagemas. Entre os mais vulgares estão o uso de imagens sensuais, fotos chocantes ou matérias sensacionalistas. Uma foto da atriz do momento na praia ou de corpos das vítimas de alguma tragédia garantem um bom número de visitas. Escrever sobre baboseiras, como o famigerado BBB, também é um “bom negócio”.

Os motores de busca – Google, Bing, Yahoo – usam um intrincado sistema de algorítimos para responder às pesquisas solicitadas e é justamente para gerar esta visibilidade matemática que se usa os estratagemas acima citados. Resolvi então “brincar” com a curiosidade destes leitores ocasionais. Como não cai bem para os princípios do blog postar fotos da Carolina Dieckmann nua nem dos bastidores do BBB12, resolvi falar do… Chupa Cabras.

Buscando um assunto que tivesse boa repercussão encontrei este. O curioso é que a “história” do Chupa Cabras tem muitos pontos em comum com a visão que o mundo tem de Israel. Li alguma coisa e assisti a dois interessantes documentários sobre este suposto alien caribenho. O que mais me chamou a atenção é a incrível tendência que o ser humano tem de dar crédito ao que é mais fantasioso.

Diversos animais foram mortos – inclusive cabras – por um outro animal. Até aí, tudo normal. A famosa cadeia alimentar existe desde a queda do homem e não nos surpreendemos com animais matando animais. O surpreendente no caso do Chupa Cabras é que ele é um serial killer animal.

Depois de causar pânico em três ou quatro países, uma força tarefa conseguiu abater alguns destes animais e enviou seus cadáveres para especialistas de diversas universidades e todos foram unânimes em afirmar que se tratava de um animal normal com alguma doença grave. A cientista veterinária Sharman Hopes foi taxativa: É rabugem!

A rabugem, uma irritação causada por ácaros é comum entre coiotes, lobos e cães. E os animais abatidos – provavelmente fruto de algum cruzamento entre estes animais – tinham como agravante o fato de aparentarem estar com rabujo.

Comecei a pensar neste artigo com o objetivo único de provar algoritmamente, que a simples citação de um mito pode gerar tráfego para o meu blog. Mas, à medida em que eu avançava na elaboração do texto ia me surpreendendo com as incríveis semelhanças existentes entre a imagem que se tem do Estado de Israel e do seu povo, com o mito do Chupa Cabras.

Alguém viu um bicho, criou-se um medo infundável de que se tratava de um extra-terrestre, artístas gráficos ouviram as supostas testemunhas e desenharam aquilo que as mesmas imaginaram. Kabum! E fez-se o mito.

Mas, um mito por si só não se estabelece sem um empurrãozinho da deusa do momento, a Mídia. Benjamin Radford, autor do livro “Enganos, Mitos e Manias” (sem tradução para o português), passou 5 anos estudando o fenômeno e foi taxativo em dizer que a imprensa teve um papel fundamental na formatação da imagem do suposto monstro. Quanto mais ela alimentava a idéia de um ser humanoide, mais os leitores retroalimentavam com detalhes, permitindo a elaboração da figura que hoje povoa o imaginário popular. E para completar o corolário faltava atribuir-lhe um nome que fosse impactante. Embora as vítimas preferidas do estranho predador sejam as galinhas, a expressão Chupa Galinhas não provocaria os mesmos efeitos nem a mesma sonoridade que Chupa Cabras, O nome assustador, mais condizente com o mito, “pegou”.

ENTRE O MITO E A REALIDADE

O mítico Chupa Cabras e o animal real. Diferenças gritantes.

Com Israel acontece algo parecido. A deusa Mídia, ávida por monstros e vilões, há décadas elegeu Israel como o seu Chupa Cabras favorito. Não importa que a realidade mostre outra coisa, o que vale mesmo é a imagem distorcida, retroalimentada pelo odioso antissemitismo, que faz do judeu um personagem abjeto da história da humanidade, quando na verdade é justamente o oposto. Nenhum povo contribuiu mais para o progresso e bem estar da humanidade do que o povo hebreu.

O curisoso na construção do visual do mítico Chupa Cabras, é que os autores dos supostos “retratos falados” acabam impregnando neles características próprias de si mesmos – seus medos, suas crenças e seus valores – que por sua vez são canalizados e resultam na formatação da imagem que se tornou popular. A figura fantasmagórica surgida à partir de uma matriz contaminada por rabugem nada mais é do que a rabugisse dos seus autores. Portanto, quando alguém se levanta contra Israel usando argumentos fundamentados em mitos, eu olho para eles e os vejo como são: Rabugentos.

O judeu estereotipado, de Charles Dickens e um judeu da vida real.

3 respostas »

  1. Nossa! Fico encantada com tudo o que vc escreve. Se pudesse passaria o dia inteiro lendo tudo, pena que tenho outras coisas a fazer. Não importa o tema, você é tão envolvente nas palavras que não dá vontade de parar. O mais estranho é que eu não sou fã de leitura. Parabéns! Deus continue abençoando você e sua mente! Você é incrível!

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